primavera espera
meia-lua vagarosa —
alvorada irrompe
***
risquinhos de luz
fio da aranha balança —
sol da primavera
***
nas ruas desertas
o vento da primavera
renova os caminhos
procuro a lua minguante
no céu coberto de nuvens
***
cortina desfia
o sol da primavera —
meus sonhos vagueiam
***
quieto apartamento —
canário-da-terra canta
clara melodia
som da cor do sol dissipa
nuvens do meu pensamento
***
no céu andorinhas
nunca encontram fronteiras —
sol afaga a terra
***
num solar mergulho
o brilho azul-metálico
de uma andorinha
traça curvas no espaço
tem na cauda um compasso
***
sob a luz do poste
mariposas sem um rumo —
noite encoberta
acima das nuvens densas
paira oculta a lua cheia
***
longa calmaria —
sobre as ondas dos telhados
surfa o sol da tarde
***
sob chuva e trovões
andorinha ainda voa —
filhotes no ninho
as árvores nada tomam:
devolvem nuvens ao céu
***
na boca da noite
fatia de lua estival
e um gosto de sol
dois horizontes incertos —
cada instante é novo
***
prenúncio de outono —
entre nuvens que vagueiam
espaço intocado
Haikai de Felipe Seishū. Praticante na Comunidade Zen-Budista Daissen. Escola Soto Zen