O Caminho Óctuplo é o próprio Zazen


Quando nos sentamos, podemos perceber que a fala correta atua neste exato momento. Não entendo muito bem (ainda) como todos estes elementos estão inseridos na prática da meditação sentada, mas busco entender que ao sentar estou praticando o pensamento correto de estar no momento presente. 

No zazen, temos a consciência da ilusão do “eu” e desse modo, o pensamento flui para a verdadeira realidade das coisas com a compreensão correta. Podemos fazer diferenciação entre coisas sadias das que não são, das que edificam, das que não edificam, saber o que nos causa mal e as nossas próprias ações como consequências deste mal.  

A consciência de identificar atitudes que prejudicam tanto a nós quanto aos outros. A capacidade de despertar para outras percepções sobre a vida como resultado da prática. Ampliamos nossa consciência examinando a nossa percepção sobre o objeto de análise. Vale salientar que entendo que o zazen não é para indagar sobre nossos sentimentos, mas apenas observar. 

As percepções trazem informações sobre como interagimos com o mundo. Elas são fundamentais no processo de aprendizagem e interação com o ambiente. Contudo, podem apresentar elementos distorcidos da realidade e conceituar sentimentos como a felicidade, como um objeto externo à nossa consciência.

Esses são alguns dos oito passos do Caminho Óctuplo, neles é possível observar que a prática do zazen orienta a direção para alcançar a compreensão correta e, consequentemente, a fala correta elevando os níveis de consciência.

Originação dependente

A Originação Dependente, por sua vez, é um elemento básico do método para a prática budista. Nele estão implícitas as Quatro Nobres Verdades, que se originam no ciclo ou movimento contínuo do samsara. Está, também, relacionada de forma a ser interdependente aos conceitos do Caminho Óctuplo, uma vez que ele busca maneiras de cessar o círculo do sofrimento. Estes 12 pontos são relevantes para todo praticante budista, pois é o alicerce da nossa prática.

Embora compreender as Quatro Nobres Verdades seja uma constatação relativamente clara, compreender a Originação Dependente tem em si uma certa complexidade cognitiva maior, principalmente, quanto aos conceitos da cultura ocidental sobre vida e morte fundadas pelo cristianismo. Contudo, sabemos que não é exclusivamente pela nossa capacidade intelectual que percebemos estes elos. A ignorância aparece não como a falta de conhecimento ou simples arrogância dos incultos, mas como uma visão limitada dentro do próprio objeto da percepção. 

Em alguns desses pontos é possível haver a ruptura, especificamente, entre o elo cinco e seis relativo aos sentidos e contato. Também é possível “cortar” o desejo (tanha), a ânsia que causa a insatisfação, seja pelo apego ou aversão que está no elo de número nove. Vale ressaltar que cada elemento depende de outro para existir, “isto existe, porque isso existe”, por isso é denominado de movimento contínuo.

Portanto, para aprofundar o significado de cada parte desta conexão, o zazen é fundamental, como treino para a mente e para podermos alcançar elevados níveis de consciência.

 

Texto de Carmem Lúcia. Praticante na Comunidade Zen-Budista Daissen. Escola Soto Zen

 

Pin It on Pinterest

Share This